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Afya leva debate sobre clima e saúde à II Semana do Clima da Amazônia, em Belém

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semana do clima da amazonia

A Afya marcou presença na programação da II Semana do Clima da Amazônia, realizada em Belém, primeiro encontro climático após a COP30, ao promover atividades gratuitas e autogestionadas que aproximaram a população dos debates sobre mudanças climáticas e seus impactos na saúde. A programação incluiu uma aula pública pelas ruas históricas da capital paraense e o ciclo de conversas “ABC do Clima e Saúde”, que reuniu especialistas para abordar temas como arboviroses, saúde mental, alimentação sustentável e adaptação climática.  

As atividades tiveram início com a aula pública “História, Saúde e Clima”, realizada no dia 28 de junho. Conduzida pelo historiador Michel Pinho e pelo cardiologista Vitor de Holanda, a caminhada reuniu cerca de 200 pessoas e percorreu patrimônios históricos da saúde em Belém, como a Santa Casa de Misericórdia do Pará, promovendo reflexões sobre a relação entre urbanização, meio ambiente e saúde pública na cidade ao longo dos séculos.  

Durante a aula, o médico destacou que os desafios atuais relacionados ao clima têm profundas raízes históricas. “Os primeiros hospitais da Amazônia foram criados para atender doenças tropicais que surgiam a partir do contato das populações com o ecossistema amazônico. Essa relação continua muito presente nos dias de hoje e precisamos compreendê-la melhor”, afirmou.  

Rodas de conversa

Já nos dias 1º e 2 de julho, a unidade da Afya Educação Médica Belém recebeu o ciclo “ABC do Clima e Saúde”, iniciativa voltada à tradução de temas complexos para uma linguagem acessível ao público. Entre os destaques esteve a roda de conversa sobre ansiedade climática, conduzida pelo médico Fagner Carvalho, que debateu os reflexos emocionais provocados por eventos extremos, como enchentes, secas e ondas de calor.  

“É importante compreender que as transformações ambientais não afetam apenas a saúde física. Elas também impactam a forma como as pessoas enxergam o presente e o futuro. Falar sobre saúde mental é parte fundamental da adaptação climática”, ressaltou o especialista durante o encontro.  

A programação também abordou o avanço das doenças transmitidas por mosquitos em um cenário de mudanças climáticas. A bióloga Roberta Raiol explicou como o aumento das temperaturas e as alterações nos regimes de chuva favorecem a proliferação de vetores de doenças como dengue, zika e chikungunya. “Entender como o clima influencia a proliferação dos mosquitos e reconhecer os sinais de alerta é fundamental para proteger a saúde individual e coletiva”, destacou.  

Outro tema que recebeu atenção especial foi a relação entre alimentação, sustentabilidade e saúde. A gastroenterologista Fabrícia Maciel conduziu a conversa “Saúde planetária: como nossas escolhas alimentares afetam o corpo e o meio ambiente”, destacando que os sistemas alimentares exercem papel relevante tanto na saúde humana quanto nas emissões de gases de efeito estufa.  

O debate dialogou com uma das discussões centrais da Semana do Clima da Amazônia: a necessidade de repensar a forma de produzir e consumir alimentos diante da crise climática. Segundo especialistas reunidos no evento, as mudanças no uso da terra e o desmatamento continuam entre os principais fatores associados às emissões de gases de efeito estufa no Brasil, reforçando a importância de sistemas alimentares mais sustentáveis para garantir saúde, qualidade de vida e bem-viver na Amazônia.  

Durante sua participação, Fabrícia Maciel defendeu que o debate sobre alimentação deve ir além das escolhas individuais. “Precisamos compreender como as mudanças climáticas afetam a produção, a distribuição e o acesso aos alimentos, especialmente em regiões como a Amazônia. Os debates são fundamentais para fortalecer a conscientização da população e subsidiar políticas públicas que garantam segurança alimentar e sistemas de produção mais sustentáveis”, afirmou.  

Encerrando a programação, o professor da Afya Abaetetuba e doutor em Oncologia e Ciências Médicas, Wanderson Gonçalves, apresentou reflexões sobre adaptação climática e saúde pública, mostrando como eventos extremos já influenciam diretamente a ocorrência de doenças, a segurança alimentar e o bem-estar das comunidades amazônicas. “Falar sobre clima é, cada vez mais, falar sobre saúde e sobre o futuro das próximas gerações”, destacou.  

No total, a série de rodas de conversa reuniu mais de 50 participantes. Correalizadora da II Semana do Clima da Amazônia, a Afya contribuiu para ampliar o diálogo entre ciência e sociedade, reforçando a importância de compreender as mudanças climáticas não apenas como um desafio ambiental, mas também como uma questão central para a saúde da população amazônica.